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Crítica | Westworld – 4X07: Metanoia

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por Luiz Santiago
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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios.

Quando Metanoia terminou, eu tentei entender quais foram as principais causas da cara de decepção que eu estava fazendo após ser apresentando a um “começo de fim” que não parece seguir a boa linha narrativa de tudo o que a série nos tinha apresentado até então. Teorias não faltaram, e algumas, considerando que ainda temos um capítulo pela frente, podem até se concretizar. Neste penúltimo episódio, o roteiro de Desa Larkin-Boutte e Denise Thé iniciam uma forma de encerramento da 4ª Temporada, marcando a morte de William e fazendo com que o Man in Black assuma definitivamente o comando de sua persona na Terra, terminando de forma patética o reinado de Hale e não necessariamente iniciando um próprio, mas abrindo as portas para que “o espírito de Westworld” tome conta de tudo. 

A construção do enredo me parece bastante problemática pela forma como organiza os destinos dos personagens, a começar por Caleb e a filha. Foi muito tempo construindo um conflito, criando uma certa expectativa e, no penúltimo episódio da temporada, chegamos a um ponto em que essa linha narrativa parece não trazer nada de interessante. E irrita o fato de estarmos diante de uma boa produção, porque a série mantém, mesmo em casos assim, o seu excelente nível técnico e de atuação. Ou seja, para parâmetros de constituição dramatúrgica e de direção, em todos os aspectos do episódios, temos um bom produto. O impasse é: o que este produto está nos comunicando?

Hale decide, por fim, colocar fim à sua experiência. O seu complexo de deusa chega ao fim e a destruição da humanidade é programada. Para o roteiro, ao menos até este momento, a visão de Bernard deve ser levada a ferro e fogo. Na conversa que teve com Akecheta, no Sublime, ele disse que o fim que visualizava para os anfitriões e para os humanos, em qualquer realidade possível, era a extinção. Fica mais ou menos indicado que não é uma extinção apocalíptica, completa e necessariamente repentina. Mas algo progressivo, um tipo de conflito em escala cada vez maior. Ao final, o que o Homem de Preto fez é assumir o papel de realizador dessa previsão, colocando todos para lutar entre si e… que vença o mais forte, o mais apto. Ou seja, aplicação da lógica de Westworld ao mundo real.

Ainda existem algumas discussões sobre este mundo ser ou não real (a ideia da “dimensão espelhada” segue conquistando muita gente), mas independente do que seja, convenhamos que a construção de todo o drama foi infinitamente melhor do que esse princípio de sua resolução. Como apontei mais acima, temos aqui um problema de conduções estranhas dos personagens, e não só de Caleb e da filha. Notem como Maeve é utilizada aqui. Dá a impressão de que um grande abismo separa o episódio anterior deste episódio, e uma outra missão ou intenção que a gente não viu tenha entrado em cena. Para mim é muito estranho que tanta coisa tenha sido simplesmente corrida e os personagens empurrados para essa previsão de extinção e danação do mundo plantada por Bernard desde o início. É aquela velha história da construção exemplar e criação de uma mega expectativa sem um pagamento que realmente faça valer todo esse processo.

Christina e Teddy foram outra decepção aqui, não necessariamente igual às outras, mas por aparecerem em um uso que se desconecta quase que por completo de tudo o que está acontecendo. E desta vez não estamos em linhas do tempo diferentes ou, ao que tudo indica (existem teorias sobre isso também), em outra realidade. Pelo que a série nos mostrou até agora, essa linha faz parte do mesmo Universo que o do Homem de Preto, Hale e afins. Pensando nisso, a participação de Christina, “acordando definitivamente” de seu sonho, me pareceu absurdamente básica, o que não seria frustrante se acontecesse no primeiro episódio, o que não é o caso. Desse modo tão passivo e paralelo com tudo o que ocorre, ainda mais no penúltimo episódio, fica difícil de comprar esse bloco narrativo com felicidade. Eu vinha essas semanas todas totalmente despreocupado com o que poderia acontecer no final deste ano da série. Agora, infelizmente, essa preocupação voltou. Conseguirão estragar uma boa história ou farão jus ao bom trabalho do 4º ano do show?

Westworld – 4X07: Metanoia (EUA, 7 de agosto de 2022)nd
Direção: Meera Menon
Roteiro: Desa Larkin-Boutte, Denise Thé
Elenco: Evan Rachel Wood, Thandiwe Newton, Jeffrey Wright, Tessa Thompson, Aaron Paul, James Marsden, Luke Hemsworth, Ed Harris, Zahn McClarnon, Aurora Perrineau, Morningstar Angeline, Darien Lee, Marti Matulis, Joseph Wilson, Braxton McAllister, Patrick McLain, Terra Strong
Duração: 59 min.

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