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Crítica | Um Tira da Pesada III

Parque sem diversões.

por Ritter Fan
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Sete anos depois do financeiramente muito bem-sucedido Um Tira da Pesada II, Eddie Murphy, com sua carreira já na descendente, jogou seguro e retornou ao seu detetive Axel Foley mais uma vez, em um filme que contou com John Landis, também sem um sucesso há tempos, voltando para a direção de um filme de Murphy depois de Trocando as Bolas e Um Príncipe em Nova York. Como no longa anterior, a gestação foi complicada a ponto dos mega produtores Don Simpson e Jerry Bruckheimer terem largado o projeto, com diversas versões de roteiro sendo escritas por pessoas diferentes e um orçamento que só aumentava, com o que era para ser “apenas” o dobro da primeira continuação chegando aos inacreditáveis 70 milhões de dólares sem que essa injeção de capital seja visível em tela.

Afinal, Um Tira da Pesada III é um filme confinado a um parque de diversões na Califórnia, para aonde Axel Foley vai para investigar o assassinato de seu chefe de polícia em Detroit durante uma operação policial que começa como sendo uma que investiga o desmanche de automóveis e acaba sendo algo muito maior e que vemos no até razoavelmente interessante prólogo. Quando Foley, então, chega na Costa Oeste, ele tem apenas o agora Sargento Billy Rosewood (Judge Reinhold) para contracenar, já que houve uma debandada geral do elenco fixo, especialmente Ronny Cox, John Ashton e Paul Reiser, e mesmo assim de forma limitada, já que o roteiro foca quase que exclusivamente no protagonista e mesmo assim sem abrir espaço para Eddie Murphy fazer o que sabe fazer de melhor, a comédia, já que a pegada é estranhamente séria, ainda mais séria que no filme anterior.

O roteiro de Steven E. de Souza é, ironicamente, algo que muito facilmente poderia ser um verdadeiro filme da franquia, mas tudo o que o texto acabou sendo foi um pastiche sem graça de obras como Duro de Matar (não coincidentemente que o próprio de Souza co-escreveu), com John Landis até oferecendo uma direção mais consistente do que a de Tony Scott, mas quase que igualmente burocrática e cansada. Um Tira da Pesada III é um filme sem energia, sem vitalidade, que transforma seu divertido protagonista em um chato de galochas, com todas as sequências de ação não passando de repetições do mesmo tema, com tiroteios aleatórios com tiros que nunca acertam os alvos mais valiosos – sem que a direção e montagem sequer façam algum esforço para criar tensão ou o mínimo de sensação de perigo -, com exceção da cena em que Foley salva duas crianças em um dos brinquedos do parque, cena essa que, sinto muito, não consegue ser verossímil nem por um segundo sequer, além de parecer completamente deslocada na obra, como algo pensado e inserido posteriormente na vã tentativa de se fazer algo “diferente”.

Nem a participação especial de Bronson Pinchot retornando ao seu afetado Serge do primeiro filme, agora vendendo armas de luxo, e nem as várias pontas ilustres de nomes como a do visionário George Lucas, a do mestre Ray Harryhausen e a do grande Arthur Hiller anima a película para além do leve, quase imperceptível levantar de sobrancelhas do espectador. É como ver um filme que está o tempo todo na UTI, com sinais vitais fraquíssimos, mas com esporádicas melhoras aqui e ali, somente para que tudo acabe com aquela fatídica linha horizontal e o apito característico de monitores hospitalares. Um Tira da Pesada III tem tudo de errado, começando por um Eddie Murphy constrangedoramente sem graça, passando por interações patéticas, vilões inanes, sequências de ação que não conseguem empolgar e uma direção que até faz esforço, mas mal consegue segurar tudo no lugar. Ou seja, a regra de continuações de Hollywood, especialmente a que assombra os “terceiros filmes de trilogias” (não que o segundo tenha sido bom, vejam bem).

Um Tira da Pesada III (Beverly Hills Cop III – EUA, 1994)
Direção: John Landis
Roteiro: Steven E. de Souza (baseado em personagens criados por Danilo Bach e Daniel Petrie Jr.)
Elenco: Eddie Murphy, Judge Reinhold, Hector Elizondo, Timothy Carhart, John Saxon, Theresa Randle, Alan Young, Stephen McHattie, Bronson Pinchot, Gil Hill, Jon Tenney, Lindsey Ginter, Dan Martin, Al Green, Joey Travolta, Hattie Winston, Helen Martin, Tracy Melchior, Eugene Collier, Forry Smith, Gregory McKinney, David Parry, Michael Bowen, Symba Smith, Julie Strain, Heather Elizabeth Parkhurst, John Singleton, George Lucas, Arthur Hiller, Ray Harryhausen, Robert B. Sherman
Duração: 104 min.

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