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Crítica | Stargirl – 3X09: The Monsters

Super Velhinhos, ativar!

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Apesar de começar lentamente, especialmente no que se refere à talvez desnecessariamente longa demais conversa de Pat com Barbara sobre Mike, resultado da vista do ex-sidekick ao mundo das sombras, é muito bom ver que The Monsters faz a temporada finalmente retornar à história principal depois de dois episódios que descaradamente serviram de backdoor pilot para eventual série da Corporação Infinito que, se duvidar, ainda aparece no final para ajudar a nova Sociedade da Justiça. Mas o episódio sofre quase que como um começo de temporada, com diversas linhas narrativas sendo abordadas ao mesmo tempo, como se o roteiro tivesse que correr atrás do prejuízo.

Não é um sofrimento terrível, vale dizer, pois apesar do drama pessoal de Pat tomar uma minutagem considerável, ele é relevante o suficiente para tornar aceitável essa dedicação ao tema de como ele cuida do filho e o porquê da ausência completa de sua ex-esposa e mãe de Mike. Meu maior problema com esse lado da história repousa no roteiro de Geoff Johns que não consegue criar uma maneira orgânica de se lidar com ele, o que faz com que a direção de Andi Armaganian mantenha as linhas narrativas sensivelmente separadas, criando um pouco de estranhamento quando pensamos no conjunto da obra. Confesso, porém, que era difícil lidar com uma questão tão pessoal dessas em meio ao que o restante do episódio aborda, ainda que seja estranho a inauguração dessa história somente na estirada final da série. Claro que tudo dependerá de como o assunto será fechado, pelo que temos que aguardar.

No que se refere à grande sequência de ação passada na mansão dos Mahkent catalisada pela detecção do nada, pelos óculos de Beth que, o sinal das câmeras de vigilância vêm de lá, só tenho que aplaudir. Fazer a Sociedade da Justiça em sua versão adolescente atacar, com força total – inclusive com Beth na pancadaria graças a ajuda “estranha” dos pais em ativar o modo de combate de seu uniforme, o que força muito a barra, mas que fecharei os olhos e aceitarei – não vilões tradicionais, mas sim dois senhores idosos, ainda que poderosos. Simplesmente não tem preço ver a Pantera apanhar lindamente da raivosa Vovó Mahkent que recém assinara friamente (he, he, he) o coitado do professor de arte de Cameron e o fofo Vovô Mahkent, mesmo sofrendo de um começo de ataque cardíaco, dando um trabalhão para a Doutora Meia-Noite. Entre ótimas coreografias “de corredor” que destroem parte da mansão e um uso discreto, mas eficiente de efeitos especiais gelados, os duelos foram, talvez, o ponto alto da temporada.

E, quando falo dos duelos, meu foco fica mesmo nos que são protagonizados pelos velhinhos, pois o embate entre o Homem-Hora (ou, agora, Homem-24 Horas) e Cameron não me cativou do mesmo jeito. Não que em termos coreográficos e de efeitos ele tenha sido ruim, pois não foi, estando pari passu com o restante da pancadaria. O problema maior foi de contexto, com a luta fazendo consideravelmente pouco sentido ao fazer de Cameron um especialista em artes marciais e com controle absoluto de seus poderes gélidos em um estalar de dedos, ao escantear Court completamente, como uma dama em perigo que não sabe fazer outra coisa que não seja gritar o nome de Cameron e de Rick e fazer cara de medo e dor e, finalmente, ao fazer de Rick um sujeito que deveria ser capaz de muito mais do que apenas ser espancado por um novato.

Mas a sidequest de Mike e Jakeem, os únicos personagens que mantêm vivo o espírito investigativo à la Agatha Christie que foi usado apenas no começo da temporada, ajudou a compensar o problema, especialmente com a participação consideravelmente ativa – e até de “corpo” inteiro – de Relâmpago, agora com a voz de Seth Green. Para começo de conversa, os dois jovens são ótimos juntos, notadamente considerando o crush duplo que eles sentem por Cindy e que, claro, serve de catalisador para a busca pela jovem desaparecida. Gostei da conexão da dupla (trinca, na verdade), da tentativa rápida de criação de suspense e até do CGI do gorila branco que aparece completamente do nada ao final.

Por outro lado, não gostei justamente do gorila branco, mais conhecido como o Ultra-Humanoide, a reunião do cérebro de um cientista louco com um símio e não pelo personagem em si, já que é sempre divertido quando o baú dos personagens obscuros é remexido, mas sim pela entrada de alguém aparentemente muito importante faltando apenas quatro episódios para o final. E, pior ainda, como tudo indica que a confluência para a mansão dos Mahkent foi algum tipo de distração criada pelo verdadeiro grande vilão, o uso do Ultra-Humanoide como o tal vilão ou como parte de uma conspiração que tirará da cartola o grande vilão me parece uma pobreza enorme de roteiro. Ainda é cedo para julgar, claro, mas se a presença do símio albino for realmente a peça que faltava para explicar todo o jogo jogado até aqui, será como se Agatha Christie dissesse que o assassino é alguém que nunca foi apresentado antes em seu livro, apenas no momento em que Hercule Poirot ou Miss Marple soluciona o crime.

The Monsters foi, portanto, um episódio estranho de altos e baixos, mas que, no conjunto geral, acabou sendo muito agradável de se assistir justamente por essa gangorra narrativa e, claro, pelo antagonismo dado a Sofus e Lily Mahkent, desde já eleitos como os melhores personagens de toda a série, sem possibilidade de argumentação em contrário. Agora é esperar para ver como é que Johns usará os episódios que ainda têm à sua disposição para encerrar a história de Stargirl e de seus amigos adolescentes.

Stargirl – 3X09: The Monsters (EUA, 02 de novembro de 2022 nos EUA e 10 de novembro de 2022 no Brasil)
Showrunner: Geoff Johns
Direção: Andi Armaganian
Roteiro: Geoff Johns
Elenco: Brec Bassinger, Luke Wilson, Yvette Monreal, Anjelika Washington, Cameron Gellman, Trae Romano, Meg DeLacy, Amy Smart, Hunter Sansone, Joel McHale, Stella Smith, King Orba, Alkoya Brunson, Neil Hopkins, Joy Osmanski, Jim France, Kay Galvin, Seth Green, Kron Moore, Gilbert Glenn Brown
Duração: 40 min.

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