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Crítica | Star Wars: Ascensão da Força Sombria (Trilogia Thrawn #2), de Timothy Zahn

Um "capítulo do meio" de qualidade.

por Ritter Fan
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  • spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais livros da Trilogia Thrawn.

Espaço: Sistema Jomark (planeta Jomark), Sistema Honoghr (planeta Honoghr), Sluis Van, Coruscant, Rishi, New Cov, espaço profundo não identificado onde a Frota Katana (Força Sombria) está à deriva.
Tempo: Nova República Galáctica, cinco anos após a destruição da segunda Estrela da Morte, na Batalha de Endor, 9 a.BY.

Apesar de eu não achar Herdeiro do Império essa maravilha toda que muitos acham pelas razões que expus em minha crítica, fica evidente que o primeiro volume da Trilogia Thrawn do começo dos anos 90 é como a fundação de uma sólida construção. Sem dúvida uma fundação muito maior e muito mais longa do que precisava ser, mas, mesmo assim, um trabalho valoroso de resgate e reconstrução da franquia Star Wars no campo literário. E a maior prova disso é que Ascensão da Força Sombria é, mesmo tendo a desvantagem de ser um “capítulo do meio”, uma aventura que se revela muito mais interessante que a que a precedeu e, em muito aspectos, também mais bem estruturada do que O Último Comando.

Não que os problemas de caracterização e desenvolvimento dos personagens vilanescos criados para a trilogia, notadamente o próprio e tão adorado Grão-Almirante Thrawn e o clone ensandecido do Mestre Jedi Joruus C’baoth não permaneçam, pois eles infelizmente permanecem, mas o segundo capítulo é consideravelmente mais coeso e bem trabalhado do que o primeiro, com o foco permanecendo na localização, tanto pela Nova República quanto por Thrawn, da mítica Frota Katana com mais de duzentos cruzadores espaciais da classe Dreadnought que, segundo a lenda, está perdida em algum lugar do espaço profundo há mais de meio século. Pela janela vai a repetição infinita da estrutura de perseguição estilo gato e rato entre os agentes de Thrawn e os Skywalkers e pela porta entram não só uma narrativa convergente sobre a tal frota, que foi apelidada de Força Sombria (confesso que acho esse nome feito demais e prefiro mil vezes Frota Katana, batizada a partir da nave comando), como, também, o surpreendente desenvolvimento da linha narrativa que envolve os furtivos Noghri, que tentaram sequestrar Leia no primeiro livro, com a princesa decidida em viajar até Honoghr, o planeta natal deles a partir de Khabarakh, capturado por ela e Chewbacca em Kashyyyk, para tentar uma aproximação diplomática.

Com isso, mesmo que Thrawn continue sendo um personagem que só existe em função do cansativo e frustrantemente burro e “perguntador” Capitão Pellaeon e nunca em função dele próprio, em Ascensão da Força Sombria isso é menos sensível e, portanto, menos problemático. Não que a busca da Frota Katana seja algo sensacional, já que sua resolução é corrida demais, dando a primeira grande vitória para Thrawn em um momento que, ironicamente, se passa fora das páginas do livro, sendo apenas mencionada en passant, sem nenhum tipo de detalhamento. No entanto, essa linha narrativa oferece boa convergência dos personagens principais e da trama que coloca o Almirante Ackbar como alvo de uma investigação da Nova República depois de manobras escorregadias do malicioso Senador Borsk Fey’lya, um bothan que age fundamentalmente em interesse próprio (como todo político, aliás), além de servir como uma maneira interessante de continuar desenvolvendo o contrabandista Talon Karrde, cada vez menos em cima do muro, e sua segunda-em-comando Mara Jade que, aqui, começa de verdade – mas não sem hesitação – a trilhar seu caminho Jedi ao lado de Luke Skywalker, a quem se vê obrigada a pedir  ajuda para libertar Karrde das garras de Thrawn.

No entanto, Leia em uma lenta e tensa negociação com os Noghri no devastado planeta Honoghr, em que ela tenta lidar com o fato de o Império – seja por Darth Vader antes e por Thrawn agora – ter sido a única entidade a tentar ajudá-los mesmo cobrando o preço de uma fidelidade que transforma os nativos em assassinos com habilidades particularmente letais, é inegavelmente o grande destaque do romance, com Zahn costurando uma história de verdades cruas e mentiras frias que a princesa, mesmo com a ameaça e até a presença física do Grão-Almirante Thrawn (em outra daquelas sequências em que o o personagem de pele azul e olhos vermelhos é enganado facilmente, apesar de ser pintado como um imbatível estrategista) por ali. Diria até, já usando como instrumento confirmatório minha leitura de O Último Comando, parte final da trilogia, que o arco de Leia com os Noghri é o mais completo de longe de toda a saga, com eventos perpassando cada livro de maneira incisiva e bem trabalhada.

Ascensão da Força Sombria é o que Herdeiro do Império poderia ter sido se Zahn não tivesse se contentado em contar uma gigantesca narrativa introdutória que é quase um esboço de história. É neste segundo capítulo que o autor faz valer – mesmo com seus problemas – o esforço da leitura até esse ponto e mostra de verdade que ele tinha um plano bem estruturado quando começou a pensar em escrever sua trilogia que, sendo muito sincero, poderia ter sido uma duologia.

Star Wars: Ascensão da Força Sombria (Star Wars: Dark Force Rising – EUA, 1992)
Autor: Timothy Zahn
Editoria original: Bantam Spectra
Data original de publicação: maio de 1992
Editora no Brasil: Editora Aleph
Data de publicação no Brasil: 11 de junho de 2015
Tradução para o português: Fábio Fernandes
Páginas: 504

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