Home TVEpisódio Crítica | Star Trek: Strange New Worlds – 1X10: A Quality of Mercy

Crítica | Star Trek: Strange New Worlds – 1X10: A Quality of Mercy

Homem fora do tempo.

por Kevin Rick
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série e, aqui, de todo nosso material sobre Star Trek.

Depois de um pequeno contratempo semana passada, retorno para falar da querida Strange New Worlds em seu primeiro final de temporada. Aliás, All Those Who Wander, como o Ritter pontuou muito bem, já parecia um encerramento do primeiro ano da série, especialmente em termos de fechamento dos arcos de alguns personagens e da própria tripulação como um todo. Mas A Quality of Mercy vem como um desfecho espetacular para o drama que dá início ao seriado: o trágico futuro de Pike. Em retrospecto, é mais do que apropriado que o personagem que dominou a série e cativou a audiência seja o foco da season finale.

O estopim da história do episódio acontece quando o capitão da Enterprise encontra um dos cadetes que morre durante seu sacrifício. Obviamente, Pike parte para mudar esse destino, apenas para ser surpreendido por sua versão do futuro aparecendo no quarto. O viajante do tempo afirma ter sido enviado pelos monges de Boreth para mostrar o que acontecerá se ele mudar as coisas, com Pike recebendo uma viagem ao futuro na qual ele lida com o encontro romulano do episódio Balance of Terror, da Série Original, tomando decisões diferentes de Capitão Kirk que levam a consequências catastróficas para o universo.

O que temos a partir disso é essencialmente um episódio sobre liderança e comando. Pike é um capitão tão diferente do que já vimos anteriormente na franquia, prezando muita diplomacia, diálogo e pacificidade, além da sua abordagem colaborativa e sempre escutando diferentes perspectivas. Nesse episódio em especial, todas as suas qualidades estão em tela, especialmente sua vontade de enxergar um ponto em comum com os romulanos. É realmente um prazer assistir Anson Mount incorporar todos os ideais da Federação na sua performance, com o roteiro mantendo a construção do modelo de comando (e humanidade) a ser seguido com Pike.

E, ainda assim, ele perde. Meio pessimista, não? Me lembra bastante o sentimento de melancolia e inevitabilidade de Lift Us Where Suffering Cannot Reach, onde a confiança e o grande coração de Pike traem a missão. É por isso que a participação de um jovem Kirk (Paul Wesley) é tão vital para o episódio, pois funciona como um contraste de liderança para o protagonista. Kirk gosta de dobrar as regras, é meio impulsivo e extremamente sorrateiro, representando uma versão, digamos, menos utópica da Federação, e um pouco mais realista ou, melhor dizendo, ousada. Nenhuma forma de comando é necessariamente melhor, com os dois capitães demonstrando diferentes ideais e identidades da Frota Estelar. É uma dinâmica realmente gostosa de assistir, com Mount e Wesley encontrando química e muito bom-humor, além da história funcionar como uma grande carta de amor para o mito de Kirk e para Star Trek como um todo – veja e aprenda Picard, é assim que referências são bem utilizadas.

A condução narrativa do episódio também é um absurdo. O cenário de viagem no tempo é divertido e interessante por si só, principalmente com a carga dramática do futuro de Pike e outros acontecimentos comoventes durante a história, como a morte de Spock ou o discurso do capitão romulano sobre dever, mas também é um episódio com muito suspense e ação. O design de produção continua exuberante, assim como os efeitos especiais das batalhas espaciais, mas é a direção íntima de Chris Fisher e o roteiro tocante de Henry Alonso Myers que criam um capítulo inesquecível para a franquia, seja para Strange New Worlds, seja para a representação bonita da importância e o legado de Spock e Kirk, e a triste participação de Pike no caminho dos grandes personagens.

A misericórdia de Pike sofre uma derrota, mas isso não significa que ele estava errado em tentar. É a sua fé e otimismo que fazem SNW ser tão agradável de acompanhar semanalmente, independente das perdas e vitórias nessa belíssima trajetória da Enterprise. De certa forma, o episódio também acaba funcionando como um aprendizado para o protagonista através das sábias palavras de um jovem capitão que não foge de uma luta. Assistir Pike aceitando seu destino machuca, mas, bem, ainda podemos aproveitar sua liderança por alguns anos, e tentar apreciar cada pedacinho do trabalho em equipe dessa tripulação, como o capitão estava fazendo quando retorna para a ponte no finalzinho do episódio. A situação com Una acaba quebrando o clima, mas temos um cliffhanger para mais um ano de Strange New Worlds, de muitos outros eu espero.

Star Trek: Strange New Worlds – 1X10: A Quality of Mercy (EUA, 07 de julho de 2022)
Desenvolvimento: Akiva Goldsman, Jenny Lumet, Alex Kurtzman (baseado em personagens criados por Gene Roddenberry)
Direção: Chris Fisher
Roteiro: Henry Alonso Myers
Elenco: Anson Mount, Ethan Peck, Jess Bush, Christina Chong, Celia Rose Gooding, Melissa Navia, Babs Olusanmokun, Bruce Horak, Rebecca Romijn, Paul Wesley
Duração: 62 min.

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