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Crítica | Star Trek: Discovery – 3X08: The Sanctuary

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série e, aqui, de todo nosso material sobre Star Trek.

Até o episódio anterior, a 3ª temporada de Discovery estava vivendo na base das revelações sobre esse futuro distante para aonde os showrunners levaram a história. Não havia um vilão propriamente dito que não fosse uma entidade difusa e sem rosto, a Corrente Esmeralda, que era citada aqui e ali, mas sem maiores consequências. The Sanctuary veio para retificar esse suposto problema, mas, no processo, resultou em um dos mais fracos episódios da temporada.

Para começar, temos o rosto da vilania propriamente dito. A Orion Osyraa, vivida por Janet Kidder (sobrinha da eterna e saudosa Lois Lane, Margot Kidder) é, pelo menos da forma como foi apresentada no episódio, a epítome da vilã genérica que se vale de olhares fuziladores, voz ameaçadora e gestos quase em câmera lenta para passar aquele tipo de maldade que fica mais em casa em desenhos animados. Claro que ela pode acabar se tornando a mais sensacional personagem do universo Star Trek (claro que as chances são as mesmas de eu acertar na Mega Sena, sendo que eu nem jogar jogo…), mas ela precisará comer muito feijão com arroz para conseguir ter chance de ser mais do que apenas uma paródia de vilã.

Nem mesmo houve uma história muito interessante para justificar sua triunfal chegada, pois o roteiro de Kenneth Lin e Brandon Schultz é puro clichê e olha que eu costumo ser defensor de clichês quando eles são bem utilizados. Mas, aqui, eles são apenas clichês inseridos um atrás do outro para criar uma narrativa principal batida, daquele tipo que já vimos mil vezes antes. Afinal, atrair Book para seu planeta natal Kewjian de forma que Osyraa possa reaver o fugitivo Andoriano Ryn, levando a uma briga entre irmãos que, ao final, se reconciliam usando seus poderes magicamente amplificados pela Discovery para mandar a praga bíblica de “gafanhotos brilhantes” para longe é coisa de estagiário de roteirista. Pelo menos parece que Book fará parte da tripulação agora, certamente uma boa notícia.

Mas eu tinha esperança que Jonathan Frakes, que já se provou ótimo diretor da franquia, fizesse a proverbial limonada desse limão, mas, infelizmente, aqui ele também errou na mão. E eu nem o culpo totalmente, pois o roteiro é que não ajudou em nada. Notem por exemplo a patética sugestão de Tilly de usar a nave de Book pilotada por Detmer para atacar a nave da Corrente Esmeralda, de forma que “não pareça que foi um ataque da Federação”. Jura, Tilly? Você realmente acha que Osyraa é uma maçaneta de tão burra para acreditar em um plano idiota desses? E Saru, é isso mesmo? Você vai cair em qualquer esparrela disfarçada de plano que sua Número Um regurgita na ponte? O pior é que sequer a execução do ataque foi boa, pois Frakes seguiu a linha do genérico em que a ação é simplesmente uma repetição das mesmas sequências sem qualquer lógica e sem qualquer outro objetivo que não seja tentar mostrar que Detmer sabe pilotar como ninguém. E não, ele não alcançou o objetivo…

E eu poderia parar por aqui, mas não vou… É necessário falar de Georgiou e seu drama médico. Novamente, é sempre divertido ver a personagem detonar seus colegas, mas chegamos ao ponto em que a brincadeira ficou ridícula. A grande vilã do Universo Espelho tornou-se uma paródia de si mesma. Se foi essa a intenção, parabéns, pois esse objetivo, diferente do anterior sobre Detmer, foi devidamente alcançado. É um desperdício ver a ex-imperadora fazendo papel de rabugenta birrenta em meio a um mistério que também já deu o que tinha que dar e deveria ser revelado logo de uma vez.

Finalmente, há a questão de Adira. A primeira personagem não-binária de Star Trek finalmente disse que é não-binária, pedindo para ser chamada pela versão singular do pronome “they” em inglês. Até aí, nenhum problema. O que atrapalha é a mão pesada do roteiro que cria todo um diálogo entre Stamets, Hugh e Adira com a maior quantidade possível do referido pronome para martelar essa questão da maneira mais deselegante possível. Entendo perfeitamente a importância disso para que as pessoas entendam e respeitem as identidades de gênero diferentes das masculina e feminina, mas é justamente por isso que é necessário tratar o assunto de maneira interessante e bem inserida no contexto da narrativa e não jogada como um capítulo a parte que parece pretender ser uma “lição” didática para os espectadores.

The Sanctuary acerta ao tornar Book personagem regular da série e ao finalmente apresentar uma vilã, mas erra em quase todo o restante, inclusive na caracterização dessa vilã. Pelo menos a temporada tem ainda um bom caminho pela frente para trabalhar todos esses elementos problemáticos de forma satisfatória e transformar esse capítulo em apenas um acidente de percurso sem maiores consequências.

Star Trek: Discovery – 3X08: The Sanctuary (EUA, 03 de dezembro de 2020)
Showrunners: Alex Kurtzman, Michelle Paradise
Direção: Jonathan Frakes
Roteiro: Kenneth Lin, Brandon Schultz
Elenco: Sonequa Martin-Green, Doug Jones, Anthony Rapp, Mary Wiseman, David Ajala, Wilson Cruz, Rachael Ancheril, Michelle Yeoh, Tig Notaro, Emily Coutts, Blu del Barrio, Oded Fehr, Janet Kidder
Duração: 47 min.

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