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Crítica | Servant – 2X06: Espresso

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

É, o Tio George parece estar de volta para valer, mas, desta vez, com espaço para trazer mais pistas sobre quem exatamente é Leanne e qual é sua missão de vida ou pelo menos qual é a missão de vida que o culto do qual faz parte imputa  a ela. Como se isso não bastasse, o episódio ainda lida com mais uma pequena peça do quebra-cabeças sobre o passado de Sean e Dorothy, desta vez girando ao redor de uma máquina de espresso zero quilômetro – e certamente caríssima – que o chef recebe com todo aquele prazer de uma criança ao ganhar brinquedo novo.

Mas é curioso que esse preenchimento de espaço sobre o passado do casal logo depois do nascimento de Jericho, mas antes de seu trágico e horrendo falecimento, não parece cumprir uma função narrativa completa ou realmente satisfatória. Se 2:00, usando o mesmo expediente, justificou o retorno ao passado para racionalizar os blecautes de Dorothy durante os quais ela atacava Leanne com fúria crescente, o mesmo não acontece com Espresso, que parece mais enxertar informações que não realmente precisamos. Claro que talvez, lá para a frente, ao olharmos para trás, essa peça aqui, que basicamente marca o momento exato em que Sean recebe a proposta para ser o juiz principal de um reality show culinário, primeiro negando por causa do bebê e, depois, aceitando também por causa do bebê, o que o afasta do lar e abre espaço para o… aham… esquecimento de Dorothy, faça sentido mais amplo e se mostre essencial, mas, no episódio – e é tudo o que tenho para julgar a situação no momento – o que aprendemos não tem encaixe imediato com a trama no presente.

Claro que é mais um elemento para que Tony Basgallop mergulhe no psicológico de seus personagens e talvez esse tenha sido justamente o objetivo do roteiro que ele, mais uma vez, co-escreveu com Nina Braddock. Tenho para mim, porém, que faltou uma rima narrativa realmente relevante que tornasse os retornos temporais mais condizentes com o tema do episódio ou pelo menos que paralelizassem a ação no presente, com o Tio George servindo de alerta para o perigo de se manter Leanne ali.

O enfoque no personagem de Boris McGiver, todo sujo e desgrenhado, é, porém, um prazer. Ou um nojo, como queiram. O ator está excelente em seu frenesi desesperado, notando que a townhouse dos Turners está ruindo como consequência direta da presença de Leanne no mesmo espaço. Fica subentendido por sua insistência em retirar a jovem de lá e devolvê-la à casa onde ela estava até ser drogada por Dorothy que talvez o problema não seja exatamente Leanne, mas sim a presença dela em um lugar onde ela não deveria estar, por ser necessária, potencialmente essencial, em outro lugar predestinado ou algo semelhante. O lado sobrenatural e divino, com direito até mesmo a praga de baratas e um unguento preparado com muito amor, reza e cuspe pelo Tio George, faz-se fortemente presente, criando uma excelente urgência que a direção de Isabella Eklöf (informação irrelevante: é a segunda diretora seguida na série com trema no sobrenome…) captura muito bem com a atmosfera do ambiente, a troca de “pares” tendo o Tio George como centro das atenções e, claro, com a ótima e absolutamente enervante atuação de McGiver. Nesse aspecto, o roteiro também merece parabéns, pois consegue complicar a narrativa sem revelar muita coisa, o que só acrescenta à ansiedade que é assistir Servant semanalmente (e eu adoro assistir séries semanalmente, que fique claro!). Basta notar que, a essa altura do campeonato, pouco conseguimos realmente compreender sobre o que está acontecendo ali.

Falando em incompreensão, o que afinal aconteceu em Cake? Leanne assou seu bolo com bebê de porcelana e o engoliu como se não visse comida há dias, mas para que exatamente serviu todo aquele ritual? Tirando os restos do bolo em seu rosto e no chão, não houve qualquer consequência direta daquilo tudo em Espresso, o que é mais um elemento enlouquecedor na série e não porque eu quero que tudo seja explicado em seus mínimos detalhes – não só não acho isso possível, como algo assim somente teria o potencial de esvaziar o lado sobrenatural da narrativa -, mas sim porque estamos falando de um episódio inteiro cujo centro de atenções não ganhou seguimento no seguinte. Resta apenas esperar que o tal bolo misterioso não seja completamente esquecido e tenha algum resultado prático de curto prazo.

Espresso não funciona bem em seus flashbacks, mas compensa com um presente movimentado e paranoico que faz o melhor uso possível do mais bizarro personagem coadjuvante da série que, aliás, aparentemente continuará mais tempo na história a julgar pelo final em que vemos a casa onde Leanne deveria estar como palco de uma tragédia. Ainda não consigo entender que imagem essas peças todas do quebra-cabeças de Basgallop está montando, mas sei que estou gostando bastante do processo de montagem às cegas.

Servant – 2X06: Espresso (EUA – 19 de fevereiro de 2021)
Criação e showrunner: Tony Basgallop
Direção: Isabella Eklöf
Roteiro: Tony Basgallop, Nina Braddock
Elenco: Toby Kebbell, Lauren Ambrose, Nell Tiger Free, Rupert Grint, Phillip James Brannon, Boris McGiver
Duração: 32 min.

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