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Crítica | O Que Terá Acontecido a Totò Baby?

Parodiando Baby Jane.

por Luiz Santiago
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Totò (Antonio De Curtis di Bisanzio) foi um dos primeiros atores a protagonizar uma grande quantidade de filmes que parodiavam obras famosas do cinema. Nome icônico da comédia italiana, o artista estreou nas telonas em 1937, no longa Fermo con le Mani, de Gero Zambuto. Seu primeiro projeto amplamente relevante, Totó Procura Casa, veio apenas em 1949, pelas mãos de Mario Monicelli e Steno, dois outros mestres da comédia cinematográfica na Itália e grandes amigos de Totò. Em 1964, quando filmou O Que Terá Acontecido a Totò Baby?, o artista já tinha uma carreira muitíssimo bem estruturada, de modo que parodiar O que Terá Acontecido a Baby Jane? (1962), era um passeio no parque para ele.

A direção do projeto ficou a cargo de Ottavio Alessi e Paolo Heusch (que estivera à frente de Totó, O Comandante, no ano anterior), dois diretores menores, mas que conseguiram fazer algo engraçado aqui, mesclando o humor com elementos de giallo e as já esperadas aproximações com o filme de Robert Aldrich. A construção da obra, contudo, é possivelmente o seu maior problema, porque apesar de ter cenas realmente muito engraçadas – como toda a sequência de abertura, por exemplo – não traz nada de muito relevante para aquilo que vem depois, para aquela que seria, de fato, a real intenção da produção: fazer com que Totò enlouquecesse e se tornasse um assassino.

Pode-se argumentar que era necessário um largo espaço de tempo para que a loucura aparecesse organicamente na tela, o que eu concordaria se, de fato, o tempo gasto com amenidades tivesse esse propósito. Mas não é o caso. A loucura violenta do protagonista acaba aparecendo, no fim de tudo, de maneira abrupta. Por isso digo que seria muito melhor que o enredo pendesse, desde o início, para a seara do “thriller cômico”, em vez de passar metade do tempo ensaiando uma loucura que surge rápido demais e desmedidamente, como se o público já estivesse lidando com aquilo há algum tempo. Faltam nuances na direção e no roteiro. E convenhamos: tempo é algo que ambos tiveram de sobra para criá-las.

A interpretação de Totò (única que merece algum destaque aqui, diga-se de passagem) chama a nossa atenção desde a sequência com o diretor do colégio de “seus filhos”. Mas a cereja dramatúrgica só vem mesmo quando a loucura o atinge e os assassinatos começam a acontecer, sendo um melhor que o outro. Aliás, o humor ácido, mórbido e macabro que se vê no desfecho da fita é digno de nota. Por isso mesmo é que eu adoraria ter visto um filme de Totò com essa atmosfera medonha em toda a sua extensão. Embora demore a aparecer, o lado giallo da película dá um verdadeiro show de horrores (no sentido positivo e simbólico do termo). O espectador não consegue tirar o sorriso nervoso do rosto quando vê Totò finalmente capturado, internado em um manicômio, e escrevendo suas memórias numa máquina inexistente. A pergunta do título, então, cai como uma luva perfeita em toda a situação. O que teria acontecido, de fato, a Totò Baby?  

O Que Terá Acontecido a Totò Baby? (Che Fine Ha Fatto Totò Baby? / What Ever Happened to Baby Toto?) – Itália, 1964
Direção: Ottavio Alessi, Paolo Heusch
Roteiro: Bruno Corbucci, Giovanni Grimaldi, Ottavio Alessi
Elenco: Totò, Pietro De Vico, Mischa Auer, Ivy Holzer, Edy Biagetti, Alicia Brandet, Mario Castellani, Alvaro Alvisi, Stelvio Rosi, Peppino De Martino, Renato Montalbano, Olimpia Cavalli, Gina Mascetti, Gian Luigi Scarpa, Carlo Kechler, Laura Bini, Piero Morgia, Franco Ressel
Duração: 90 min.

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