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Crítica | Ilha Rá-Tim-Bum 1X01: Perdidos no Mar!

A história de jovens perdidos em uma ilha sem graça.

por Arthur Barbosa
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Bem-vindos ao Plano Piloto, coluna dedicada a abordar exclusivamente os pilotos de séries de TV.

Número de temporadas: 1
Número de episódios: 54
Período de exibição: 1º de julho de 2002 até 12 de setembro de 2002
Há continuação ou reboot?: Apesar de não ser uma continuação da série, o filme Ilha Rá-Tim-Bum – O Martelo de Vulcano (2003) foi um longa metragem produzido baseando-se na trama inicial. Além disso, há ainda o programa Rá-Tim-Bum (1990) e a série Castelo Rá-Tim Bum (1994), os quais, embora sejam diferentes, estão no universo criado pela TV Rá-Tim-Bum. 

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Sendo o terceiro desdobramento do universo Rá-Tim-Bum, a série infantojuvenil Ilha Rá-Tim-Bum estreou em 2002 pela TV Cultura, mas, em contrapartida, não obteve o mesmo sucesso que Castelo Rá-Tim-Bum (1994), por exemplo. Com uma temática voltada para o público menor de idade que encontra-se na transição do final da infância para o início da pré-adolescência, o seriado teve uma audiência baixa, ou seja, ele teve pouca repercussão entre os telespectadores. A história se desenvolve a partir de cinco jovens, que, ao perderem a embarcação que os levariam para um concurso musical, decidem pilotar uma lancha até o destino final. São eles: o Gigante (Paulo Nigro), a Rouxinol (Greta Eleftheriou), a Majestade (Thuanny Costa), o Micróbio (Rafael Chagas) e o Raio (Abayomi de Oliveira). Contudo, o combustível do veículo se esgota no meio do Oceano Atlântico e, consequentemente, o grupo fica à deriva até encontrar uma ilha misteriosa, a qual não constava nos mapas. Para piorar a situação, nesse novo lugar, com poucos recursos, tampouco a presença de artefatos da civilização moderna para vivenciar as aventuras, eles precisam desenvolver habilidades para a devida sobrevivência coletiva.

No entanto – mais da metade deste episódio de estreia – os personagens protagonistas mencionados passam dormindo na embarcação, com as criaturas malvadas da Ilha os observando e, pior, elaborando planos malignos para acabar com eles e com toda a humanidade. Confesso que por diversas vezes eu pausei o episódio, seja por preguiça em continuar assistindo, seja por sentir que eu estava perdendo tempo acompanhando algo de péssima qualidade. Um tanto caricato e, até mesmo, irritante foi acompanhar o vilão Nefasto (Ernani Moraes) e os seus fiéis escudeiros: Zabumba (Luciano Gatti), um zangão, e Polca (Liliana Castro), uma libélula, personagens extremamente irritantes e desajeitados. Em meio a isso, tivemos história narrada por três bonecos: o Rá (Pedro Mariano), um tatu; Tim (Fernanda Takai), um pássaro; e Bum (Bukassa Kabengele), um bicho-preguiça. Ao citar todas essas figuras, não tem como não compará-las com as do Castelo Rá-Tim-Bum, uma obra adorada e amada por toda uma geração. Nela, havia o encanto da cobra Celeste e do Porteiro, por exemplo, todavia, aqui, na Ilha Rá-Tim-Bum, eles não são cativantes e nada agradáveis, isto é, eles não têm a alegria dos personagens do Castelo, fazendo com que perdêssemos a empolgação  da expectativa em assistir ao próximo episódio. 

Você, caro(a) leitor(a), deve estar me achando uma pessoa pedante, um adulto amargo, que só assistiu à série para escrever para a Coluna Plano Piloto. De certa forma, sim, em relação ao último quesito, mas também queremos acompanhar algo que seja pelo menos atrativo, e não cansativo. Se não me falha a memória, essa sensação já pairava na minha mente quando eu era uma pequena criança com os meus seis anos de idade e acompanhava Ilha Rá-Tim-Bum na programação vespertina da Rede Minas, aqui, em Minas Gerais, a qual exibe até hoje programas da TV Cultura. Na época, como eu não gostava do seriado, eu esperava ansiosamente pelo seu término para logo em seguida acompanhar as diversas aventuras no Castelo Rá-Tim-Bum, promovidas pelo bruxo Nino e a sua turma. Inclusive, eu tinha uma sensação de medo ao acompanhar essa história na Ilha, e vejam que ainda não tínhamos a famosa Lost (2004) para podermos comparar e, quem sabe, dizer que a Ilha brasileira andou pelo Sol para que a Ilha americana pudesse caminhar pela sombra do sucesso, risos. Entretanto, mesmo com as tramas obscuras e as doses de violência para com as crianças mais velhas, não fazem da comparação algo engraçado, e sim grotesco.

Ademais, também conhecemos a personagem Hipácia (Graziella Moretto), uma misteriosa mulher, sendo meio bruxa, meio alquimista, que tenta defender o grupo de pré-adolescentes do primeiro ataque do grande vilão Nefasto. Foi uma briga repleta de computação gráfica e de efeitos visuais especiais pitorescos, os quais deram a sensação de que não era real, entretanto eles deveriam ser “reais” para o universo da série, e não transparecer algo montado/ficcional. E o que dizer sobre as protuberâncias no topo da cabeça do vilão, que se assemelham a um cérebro, pois, em determinados momentos, elas se moviam para cima e para baixo? Agonia, com certeza, é uma das palavras que definem a sensação de ver aquela cabeça, juntamente ao ato de as crianças não terem esboçado, por exemplo, qualquer reação de medo ou de pavor por desembarcarem em uma ilha perdida. Eles agiram com uma naturalidade, como se fosse algo normal ficar perdido no meio do oceano entre o Brasil e a África, sem qualquer reação ou feição de espanto ou de desespero. 

Portanto, em virtude do pouco sucesso, a série Ilha Rá-Tim-Bum é pouco marcante, praticamente não lembrada pelo público. No projeto inicial, os produtores queriam criar uma outra narrativa, na qual a história se passaria na roça, tendo o seriado a nomenclatura inicial de Fazenda Rá-Tim-Bum. Porém, com o passar dos anos e das modificações necessárias, seja da história, seja orçamentária, eles decidiram  pela Ilha após cinco longos anos desde que o projeto foi idealizado. Já imaginou o Nino correndo em cima de um cavalo ou o Tio Victor tirando leite da vaca? Seria muito mais divertido e engraçado! Uma pena eles terem modificado o universo para uma produção esquecível e nada memorável igual foi a saudosa e a geracional série amada Castelo Rá-Tim-Bum.

Ilha Rá-Tim-Bum 1X01: Perdidos no Mar! (Brasil, 1º de julho de 2002)
Criação: Flávio de Souza
Direção: Fernando Gomes, Maísa Zakzuk
Roteiro: Flávio de Souza
Elenco: Paulo Nigro, Greta Antoine, Rafael Formenton, Liliana de Castro, Graziella Moretto, Ângela Dippe, Luciano Gatti, Thuanny Costa, Abayomi de Oliveira, Ernani Moraes, Henrique Stroeter, Greta Eleftheriou, Rafael Chagas, Liliana Castro, Pedro Mariano, Fernanda Takai, Bukassa Kabengele
Duração: 29 minutos

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