- COM SPOILERS. Acompanhe por aqui, as críticas dos demais episódios da série.
Visegrad é um episódio frustrante. O início parece indicar que teremos uma cena de ação – até com toques de horror e suspense – com a “missão” de resgate da equipe do Master Chief, mas rapidamente nos encontramos em uma emboscada da UNSC, com os Spartans retornando para a base após descobrirem o desacato de ordens de John. É de um anticlímax decepcionante a resolução do “conflito” e como voltamos para a mesma discussão de que John é perturbado e desiquilibrado, agora com suspeitas e desconfianças da própria equipe, em especial Kai.
Até entendo a razão dos roteiristas focarem neste drama emocional do protagonista, dando vazão a uma narrativa que pode explorar sua paranoia como o centro de uma história sobre conspirações e mentiras dentro da própria UNSC. O episódio até tenta fazer isso em alguns momentos, como no bloco de Parangosky e a ida de John até Perez – que parece ser mestre na língua Covenant, o que levanta a questão de onde foi parar Miranda Keys, não que eu esteja sentindo falta da personagem. Todavia, a produção se aproveita pouco dessa trama de zona de guerra, seus segredos hierárquicos e suspeitas perigosas, passando pouco tempo em Reach e menos tempo ainda com John, e vocês sabem a razão, não é mesmo?
Aquela maldita subtrama de Kwan e a família de Soren. É muito difícil entender o que a produção ainda quer extrair dessa linha narrativa que continua deslocada, desinteressante e com pouco impacto na narrativa central. Imagino que em algum momento haverá uma ligação entre as ações de Kwan com a grande missão de John, assim como Soren finalmente foi ligado à trama principal no encontro com Halsey, mas até lá, o tempo gasto com este núcleo parece desperdiçado e sem propósito narrativo de nos levar a qualquer lugar minimamente recompensador. Até os momentos de Ackerson com seu pai, que servem para proporcionar uma profundidade dramática do antagonista, soam deslocados e atrapalham o foco do episódio.
O interesse dessa história aqui está em Reacher e em John! Se o objetivo é criar uma narrativa de preparação para a invasão do Covenant e o plano maquiavélico de fuga de Ackerson, então tínhamos que ter passado mais tempo vendo a investigação de John, criando tensão política com os conflitos internos da UNSC e realmente dando base dramática e nervosismo para o cliffhanger na igreja. Mas não, mal vemos John no episódio inteiro, Cortana sequer aparece e ganhamos uma revelação no finalzinho do episódio para disfarçar as escolhas ruins do texto. Imaginem só se a cena da igreja fosse mais no início do capítulo e o restante do episódio explorasse o estresse e aflição de John em se preparar para a invasão e descobrir onde estão os invasores em Covenant? Puro ouro!
Infelizmente, os showrunners de Halo continuam perdidos em termos de progressão de trama, em mais um episódio tedioso, lento e dessa vez com menos interesse dramático ou ação, bem como em uma falta de habilidade absurda em explorar a mitologia do universo ou simplesmente dar atenção ao que importa. Visegrad acaba se mostrando um episódio anticlimático, que decepciona ainda mais por não entender que a calmaria antes da tempestade só é realmente bem feita quando absorvemos a angústia da espera e a apreensão do que está vindo, mas a produção escolheu sequências de Kwan matando bandidos ruins com uma faca, quase tudo fora de tela ainda por cima! Pelo menos o desfecho do terceiro episódio nos indica que semana que vem finalmente teremos a guerra como eixo da narrativa. Mas vai saber né, às vezes metade do episódio vai ser sobre o filho do Soren fugindo de alguém.
Halo – 2X03: Visegrad | EUA, 15 de fevereiro de 2024
Criação: Kyle Killen, Steven Kane
Direção: Craig Zisk
Roteiro: Marisha Mukerjee
Elenco: Pablo Schreiber, Shabana Azmi, Natasha Culzac, Bentley Kalu, Kate Kennedy, Charlie Murphy, Danny Sapani, Christina Bennington, Natascha McElhone, Julian Bleach, Karl Johnson, Hilton McRae, Ryan McParland, Gustavo Chiang, Oladapo Oluwatosin Okunlola, Samuel Tamunotoku Gbobo, Caroline Boulton, Claudius Peters, Danielle Fiamanya, Balázs Csémy, Joseph Morgan
Duração: 48 min.