Home TVEpisódio Crítica | Chucky – 3X05: Death Become Her

Crítica | Chucky – 3X05: Death Become Her

A morte não lhe cai bem.

por Felipe Oliveira
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Com um novo filme expandindo a série e outra temporada à vista, Chucky retorna ao seu terceiro ano mantendo a sacada genial de levar seu personagem título para uma configuração que desafia a ordem das coisas, isso é, o pacto que tem eternizado o brinquedo assassino há três décadas. É interessante perceber que, mesmo após o remake de 2019 ter apresentado uma versão contemporânea do pacto, Don Mancini ainda consegue voltar com sua criação seguindo a ideia original e entregando arcos divertidos. Desde a estreia do show a intenção era simples: usar uma nova geração como ponte para explorar diferentes cenários, e o mais óbvio seria ter o Good Guy inserido na geração Z e internet, mas até aqui, Mancini tem ido além.

Do plano maquiavélico de criar um exército de bonecos, o brinquedo assassino foi do profano ao inocente em um internato católico, tendo agora como alvo a Casa Branca. Abandonado por Damballa por possuir uma mancha cristã depois de um exorcismo inacabado, qual o sentido para o Good Guy tentar renovar seu pacto? Seria cômico ver Chucky como um serial killer aos pedaços sem sentir prazer nos seus crimes, mas como o título sugere – trançando um paralelo com o clássico estrelado por Meryl Streep – a morte não lhe cai bem. Ver o Good Guy quase impotente não combina com seu perfil manipulador, carrasco e perverso, e o que torna Death Becomes Her divertido é oferecer essa perspectiva sobre um assassino, como se seu fim fosse ser condenado a uma doença terminal onde matar não faz mais sentido, e um plano B, uma perda de tempo.

Ao mesmo tempo que ter este arco flerta sobre uma despedida para o boneco, Mancini provoca até onde o serial killer poderá ir. E é graças a essa impressão de desfecho que a gag de Chucky reagindo a outros filmes de brinquedos assassinos – o que deixa Annabelle de fora – funciona, como se ele estivesse refletindo o impacto que teve na cultura pop e o que vai sobrar quando for embora. Essa não seria a primeira vez que Mancini traz o viés da autoconsciência para sua criação, mas é o momento que mais funciona por colocar o boneco e seu humor ácido para interagir com o que é atual sem parecer uma tentativa fraca de metalinguagem. Mas, e esse foi o fim de Chucky, o que seria mais digno de entregar?

Esse pensamento perdura boa parte de Death Becomes Her, pois o que seria de serial killer em seu leito e sem prazer em matar? O episódio dá essa perspectiva quando o boneco faz de alvo uma das empregadas da Casa Branca. A cena é longa e perturbadora depois que o Good Guy faz a mulher ingerir água sanitária, mas mesmo com a maldade  a sequência transmite um olhar frio por não ser uma de suas melhores ações, ao menos, não a que lhe dê satisfação – sendo agonizante apenas para ao telespectador. A próxima cena de morte, o boneco teve um incentivo de Tiffany para ele fazer o que faz de melhor: matar. Além da fotografia da temporada está empenhada em planos fechados, tem sido ótimo a sacada de movimentar a câmera junto às ações de Chucky, que depois de sentir prazer em finalmente matar o presidente, dá sua clássica gargalha seguida de uma tosse.

Talvez agora veremos o Good Guy tocar o terror na Casa Branca sem medir consequências, mas enquanto Death Becomes Her acerta em dar mais foco no eterno vilão, a narrativa do trio de protagonistas e o respectivo arco romântico de Devon e Jack parece nunca avançar de fato, o que faz pensar que se não fosse o plot de Chucky envelhecido a temporada ficaria na promessa de bolar um plano para capturar o boneco. Mas seja qual for as ideias de Mancini até o final, o triunfo dessa atual fase da série estar em brincar com as possibilidades e limites do brinquedo assassino.

Chucky – 3X05: A Morte lhe Cai Bem (Chucky – 3X03: Death Becomes Her – EUA, 2024)
Direção: Samir Rehem
Roteiro: Don Mancini, Nick Zigler, Amanda Blanchard, Diana Pawell
Elenco: Zachary Arthur, Bjorgvin Arnarson, Alyvia Alyn Lind, Devon Sawa, Brad Dourif, Lara Jean Chorostecki, Jackson Kelly, Callum Vinson, Michael Therriault, Gil Bellows, Rachael Ancheril, Jennifer Tilly, Richard Waugh
Duração: 44 min.

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